Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Javali

                                                              Javali (Sus scrofa)


 
 

 
   
Mamífero originário
do Norte de África e
sudoeste da Ásia. A
sua área de
distribuição
estende-se por
quase toda a
Europa (à excepção
das zonas mais a
Norte – Islândia,
Noruega, Finlândia e
das Ilhas Britânicas
onde se extinguiu por
volta do século XIV),
pela Ásia e pelo Norte
de África. Foi
introduzido nos E.U.A.
e Austrália
(onde se tem
verificado com alguma
 
frequência o cruzamento com porcos, quer domésticos, quer assilvestrados).
 
Nome comum: Javali
Nome científico: Sus scrofa
Outras designações:Porco-montês, javardo, porco-bravo
Peso: 250 Kg macho, e 150 Kg a fêmea
Comprimento:1 – 1,5 metros
Altura máxima do garrote: 1 metro
 
Nos últimos anos as suas populações têm aumentado consideravelmente. A recente
evolução das populações ibéricas é um bom exemplo desta tendência, pois é comum
um pouco por toda a Península, mesmo nas zonas o­nde há muito não era avistado.
Nalguns países do Centro e Norte da Europa o­nde se encontrava extinto,
como a Suécia (subsistindo apenas alguns indivíduos dentro de áreas cercadas),
podemos hoje encontrar algumas populações selvagens.
Esta expansão foi resultado não só da mudança radical na paisagem das zonas de
montanha (de pastorícia extensiva) e das zonas agrícolas europeias no geral, mas
também devido à sua elevada adaptabilidade a novas condições, à sua biologia
reprodutiva (espécie prolífica) e alimentar, à maior disponibilidade de alimento nas
zonas agrícolas e à diminuição das populações dos seus principais predadores,
como o lobo, Canis lupus, o lince, Lynxsp., e a águia-real, Aquilla chrysaetos.
O êxodo de grande parte da população rural para as grandes cidades, conduziu
ao abandono progressivo das práticas agrícolas ancestrais e a uma diminuição do
número de cabeças de gado, causando mudanças drásticas no uso do solo e na
estrutura da vegetação (muitas vezes tornando-se mais favoráveis para o javali).
O javali foi desde sempre um troféu bastante apreciado pelos caçadores, e
actualmente, graças ao aumento das suas populações, é uma das principais, senão
mesmo a principal, espécie de caça maior de muitas regiões europeias.
Em Portugal é comum em quase todo o território continental, e na Madeira existe uma
população resultante do cruzamento entre o javali e o porco doméstico.
Pertence à família dos suídeos. Tem pêlo acastanhado quando adulto, e os juvenis
são listados, de preto e castanho-amarelado (protecção contra predadores –
mimetismo), escurecendo com a idade. Nos adultos o pêlo é forte e costuma partir
nas pontas, e podem ser considerados dois tipos de pêlos, uns mais rijos, as
cerdas e outros mais macios.
Pode viver entre 20 a 25 anos, embora no estado selvagem não costume viver tanto
tempo.
 
 
É essencialmente de hábitos nocturnos, podendo ser avistado com maior frequência
ao nascer e ao fim do dia. Na altura da reprodução, ou quando existe fraca
disponibilidade alimentar, são mais facilmente observáveis, pois os animais são
obrigados a percorrer maiores deslocações.

Tem na maxila superior dois dentes salientes que se costumam designar por “amoladeiras”, enquanto na inferior possui dois dentes, ainda de maiores dimensões, as navalhas (razão para a designação de “navalheiros” dos grandes machos).

De compleição forte, de perfil afilado, com membros forte e bastante ágeis. Os machos adultos podem chegar aos 250 Kg, enquanto as fêmeas não ultrapassam em média os 150 Kg.
Os animais do Norte da Europa tendem a ser maiores e mais pesados do que os
do Sul do Continente. O dimorfismo sexual (traduzido por uma diferença de
tamanho entre o macho e a fêmea e pela dimensão dos dentes) é maior nas classes
etárias mais velhas (mais acentuado a partir dos dois anos).
Nas nossas latitudes a gestação dura cerca de quatro meses, nascendo as crias
entre Fevereiro e Abril (com um pico de ocorrência em Março). Uma fêmea pode ter
8 a 10 leitões, embora o número médio se situe entre os 3 a 6, sendo a ninhada
maior nas populações do Norte da Europa. A fêmea esconde normalmente a sua
ninhada em zonas de densos matagais.
 
As diferenças na fertilidade das fêmeas,
 traduzidas no tamanho da ninhada,
podem ser explicadas não só
por factores fisiológicos da própria
fêmea, pois as fêmeas
reprodutoras são normalmente maiores
que as não reprodutoras e pela idade
das fêmeas (normalmente as primeiras ninhadas são sempre menores), mas
também pela densidade
populacional, pelo fotoperíodo e pela
qualidade e disponibilidade de alimento.

Pensa-se que os nascimentos
estarão condicionados pela
ocorrência de condições climatéricas
extremas. Assim, em locais de fortes
nevões e baixas temperaturas, de
Inverno mais rigoroso as crias nascerão
entre Abril e Junho, enquanto nas
zonas com estação seca bem
marcada e prolongada, como a
Península Ibérica nascerão o mais
cedo possível, no começo da
Primavera, aproveitando os novos
rebentos.
 
Em zonas de elevada disponibilidade de alimento e com Inverno ameno, os
nascimentos podem ocorrer mais cedo. No caso de se fornecer alimentação
artificial, os nascimentos podem começar em Dezembro e durar até Junho
(havendo alguns registos de nascimentos entre Novembro e Março).
É omnívoro, sendo a sua lista de alimentos grande e diversa. Os alimentos de origem
vegetal são a base da sua dieta, que pode ser composta por plantas (ou parte delas),
frutos (como a castanha, as bolotas e azeitonas), insectos, moluscos, pequenos
mamíferos, aves (ovos) e, por vezes, carne em decomposição. A componente animal
é sempre menor que a vegetal, e complementa esta, pois é rica em proteínas.
No geral, o javali come o que estiver mais disponível, tendo no entanto preferência por
alimentos ricos, como os frutos e algumas plantas agrícolas. A sua alimentação
varia de local para local, e durante o tempo. Esta variação parece ser o reflexo de
diferentes disponibilidades de alimento.
 
Em resumo podemos dizer que em resposta às variações espaciais e temporais na
variabilidade e abundância de alimento, o javali come aquilo que o meio lhe
oferecer, empreendendo por vezes grandes deslocações (que podem chegar aos
250 Km) para encontrar o alimento que deseja, e aqui reside talvez uma das
principais razões para o sucesso desta espécie.

Por se alimentar de plantas agrícolas, é responsável por danos avultados na produção
agrícola. Contudo, uma boa parte dos estragos são resultado do atropelamento e
destruição quando se desloca e quando desenterra as plantas para se alimentar das
raízes. Os estragos atingem maior dimensão na Primavera e Outono, e são ainda
maiores quando existe menor quantidade de frutos silvestres.

Assim, a disponibilidade de alimento é um dos factores chave para a dinâmica
populacional do javali e para o sucesso reprodutivo.

A importância da alimentação advém do facto desta ser essencial para a
manutenção do bom estado físico dos animais. Este pode ser avaliado pelo
Índice de Condição (IC) e/ou pelo Índice de Gordura Renal (IGR).

O IC dá-nos uma relação entre o peso e o comprimento do animal, e foi definido tendo
em conta o facto das variações de peso estarem relacionadas com o estado
nutricional, permitindo desta forma avaliar a condição física do indivíduo. O IGR
quantifica as reservas energéticas acumuladas (método bastante usado para os
cervídeos).
 
Em relação à variação do IC ao longo do ano, podemos dizer que, de uma forma geral,
ele diminui, tanto nos machos como nas fêmeas, do Inverno até ao Verão (altura
em que são verificados os valores mínimos) começando a aumentar outra vez no
Outono. Assim, os javalis apresentam melhor estado físico na no início da altura
reprodutora (acasalamentos) e na altura dos nascimentos.
Vários estudos na Europa sobre preferências alimentares e sobre os danos na
agricultura, apontam para uma preferência pelo milho (Zea mays), sendo também a
cultura em que se verificam os maiores prejuízos. Os estragos assumem também
proporções consideráveis em vinhas (embora neste caso fruto de destruição enquanto
procura por raízes e rebentos tenros) e nos cereais. Em pastagens, o­nde o
javali procura invertebrados, revolvendo a terra, foçando, deixando marcas bem
características, os estragos são de maiores dimensões em zonas de pastagens
melhoradas, mais comuns no Norte e Centro da Europa, do que em regiões de
pastagens naturais, como é o caso Mediterrânico). Há também registos de danos em
arrozais.
Estes estudos sugerem ainda que a disponibilização de suplemento alimentar,
provoca desequilíbrios na alimentação dos javalis, pois normalmente são fornecido
alimentos ricos em energia, a que os danos nas culturas agrícolas sejam maiores, pois
os javalis vão procurar com maior insistência alimentos ricos em proteínas
nestas áreas (normalmente em pastagens).
 
Por forma a evitar danos, podem ser usadas redes eléctricas, avisos odoríferos,
sonoros ou visuais, e obstáculos físicos.
O javali pode também constituir uma ameaça para alguns vertebrados, principalmente
para as aves que fazem ninho no solo (quer por destruição de ninhos, consumo de
ovos ou juvenis) e mesmo em alguns roedores. Na bibliografia disponível sobre o
assunto são relatados os casos da galinhola (Scopolax rusticola), do faisão
(Phasianus colchichus) e do coelho (Oryctolagus cuniculus) (em França), e na
Península Ibérica a perdiz (Alectoris rufa), a lebre (Lepus capensis) e o coelho.
Este efeito será tanto maior quanto maior a densidade de javali.
Existem também alguns registos de mortes de animais domésticos (embora
com pouca expressão). A relação entre esta espécie e o Homem nunca foi pacífica, e
o problema do cruzamento com porcos domésticos, a transmissão de doenças aos
animais domésticos e os estragos na agricultura têm contribuído para que as queixas
contra este animal aumentem.
As densidades de javali são normalmente da ordem dos 10 animais por 100 hectares.
A sua área de acção (não é um território no sentido normal, pois não existem
marcações) pode variar entre os 4 e os 22 Km2, e em zonas de caça pode chegar aos
26 Km2. Apesar de não demarcarem um território, parecem ter preferência por certos
locais de dormida (descanso ou reprodução) que mantém ao longo de vários anos.
A proporção de machos e fêmeas é de cerca de 0,8 – 1:1, pois há uma tendência para
existirem mais fêmeas que machos, pois este têm uma mortalidade elevada até aos 4
anos de idade, devido à maior competição entre machos adultos e os mais jovens
(estes são expulsos assim que atingem a maturidade e podem mesmo ser mortos) e
à dispersão destes em busca de novos territórios.

 

Contudo, a razão entre machos

e fêmeas varia consoante a

classe etária. Considerando

apenas os indivíduos com idade

inferior a 1 ano, a razão entre

machos e fêmeas é de

sensivelmente 1:1 (como nos

mamíferos em geral),

enquanto nas classes mais

velhas o número de fêmeas

tende a ser ligeiramente

mais elevado (1:1,5 – 2).

A dificuldade de se calcular
com maior exactidão este valor
prende-se com o facto de a
grande maioria dos dados dizer
respeito a métodos de captura
 que tendem a preferenciar
uma das classes (a recolha
de dados tendo em conta o
resultado da actividade
cinegética, não nos dará
resultados sobre
a classe etária inferior a um
ano, e se usarmos armadilhas,
teremos uma maior proporção
de jovens do que adultos).

 

Para manter a sua pele livre de parasitas costuma tomar banhos de lama (chafurdar)

em locais que podem facilmente ser identificados, roçando-se de seguida nas árvores

próximas.

Anda normalmente em grupos, constituídos pela fêmea e sua prole. Estes grupos

(varas) são normalmente liderados por uma fêmea, que pode ser acompanhada também

por outras fêmeas reprodutoras, embora apenas a líder procrie. Podem também pertencer

às varas um ou dois machos mais jovens. Estes abandonam o grupo quando atingem a

idade sub-adulta (normalmente expulsos pela fêmea reprodutora ou pelo macho

dominante), podendo juntar-se a um macho mais velho (solítário) passando a

designar-se por escudeiros. Contudo, os grandes machos passam a maior parte

do tempo sozinhos.

 

É uma espécie bastante apreciada pelos caçadores, constituindo uma fonte de

rendimentos importante em muitas zonas. Um grande macho é um troféu importante.

A carne de javali é também muito apreciada (pois tem menos gordura, quase não tem

colesterol e é bastante rica em proteínas e sais minerais), sendo a sua criação

para consumo directo uma actividade que vai crescendo de importância. Este tipo

de actividade tem alguns constrangimentos, como a menor taxa de ganho de peso,

a baixa taxa reprodutiva (quando comparada com outros animais domésticos) e a

dificuldade de obtenção de animais puros. O nosso conhecimento sobre o modo de

criação deste animais em cativeiro tem dificultado a sua exploração.

A gestão das sua populações assume importância fundamental, pois pode dar um

contributo importante para a manutenção do tipo de zonas florestais mediterrâneas

que também lhes são favoráveis, mas também conservando o habitat de outras

espécies com maior risco de extinção (como a águia-imperial, Aquila adalberti).
 

 
Ao gestor cinegético cabe a escolha do número de acções cinegéticas, e de
caçadores e cães que nelas participam, de modo a que a pressão cinegética seja
adequada à dimensão e estrutura da população a gerir. É necessário ter sempre
em mente a necessidade de garantir bons resultados na época de caça, mas
também nas do futuro, pois não podemos por em risco o potencial reprodutivo das
populações de javali quer em quantidade quer em qualidade dos troféus produzidos.

O combate ao furtivismo, actividade que tem um grande impacto nas nosso dias nas
populações selvagens desta espécie, assume também uma relevância grande, e,
infelizmente, temos de disponibilizar mais meios para a erradicação dessa prática,
apostando não só na fiscalização mas também na prevenção.

Publicado por ccpbencatel às 17:19
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O poeta diz:

A saúde, quando usada com moderação, pode trazer muito prazer e bem-estar à vida, desde que a sua utilização não prejudique o tabaco e o álcool.

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