Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Tordo anilhado abatido em 24/01/2010

Cá está amigos, quando nada o fazia prever e passado quase um ano de ter abatido um tordo na "Parede Branca", anilhado no Museum Sc. Nat. Brussels, voltei a calhar em sorte e desta vez na "Calva" abati um tordo com a seguinte informação de anilhagem:

 

Arnhem-VT Holland

Holland

L 309502

 

Assim logo que receba a informação da rota migratória deste exemplar colocarei aqui no blog para vossa análise.

 
Relembro novamente os dados para reportar aves anilhadas.

 

Parque Biológico de Gaia

4430-757 Avintes

geral@parquebiologico.pt

ou
anilhagemdeaves@gmail.com, e poderá saber a história da ave.

 

Podem também enviar a informação para:

 

Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade

Rua de Santa Marta, 55

1169-230 Lisboa

Tel.  21-3507900

Fax. 21-3507984

E-mail. icnb@icnb.pt

Publicado por ccpbencatel às 10:38
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Milhões de animais selvagens morrem anualmente nas estradas portuguesas

Cerca de 4500 animais selvagens vertebrados morreram num ano em 37 quilómetros de estradas entre Montemor e Évora, segundo um investigador da Universidade de Évora, que admite que a nível nacional o número atinja vários milhões.

À Lusa, António Mira, da Unidade de Biologia e Conservação da Universidade de Évora, explicou que o projecto MOVE estuda os impactes das estradas, como os efeitos de barreira e repulsa e as consequências da mortalidade nos vertebrados terrestres, como anfíbios (sapos e salamandras), répteis, aves e mamíferos.

Em 2005, em 365 dias de recolha, os investigadores detectaram 4499 animais mortos num percurso de 37 quilómetros, metade dos quais corresponde a vias secundárias, com um movimento inferior a 3500 veículos por dia.

"Se neste contexto morrem 4500 indivíduos num ano, imagine-se se quisermos extrapolar para todo o país, considerando todas as estradas. Têm de morrer vários milhões de indivíduos por ano e isto, na minha opinião, é significativo", argumentou.

No entanto, o investigador lembrou que a área estudada, entretanto alargada, corresponde ao principal eixo terrestre entre Lisboa e o resto da Europa (que é atravessado pela A6, N4, com a N114 em paralelo) e num corredor que vai receber o comboio de alta velocidade".

Já foi possível concluir que os anfíbios, por exemplo, desaparecem do alcatrão porque a sua pele fina se deteriora rapidamente. Muitos cadáveres servem de "alimento fácil" para predadores, cujo risco de atropelamento aumenta.

Porém, António Mira notou que aves como gralhas, pegas rabudas ou milhafres, que habitualmente se alimentam dos animais atropelados, parecem ter a capacidade de se defender, com excepção das aves juvenis. "Adoptam comportamentos que minimizam o risco de atropelamento".

Quanto aos animais domésticos, as informações do MOVE mostram que os gatos "morrem muito", sobretudo devido ao seu comportamento de caça a ratos e coelhos nas bermas.

Nesta altura de início do ano, devido ao cio, António Mira está convencido de que há mais mortes entre os machos dos gatos, por se movimentarem mais.

Quanto aos cães, o pico de atropelamentos, "mas sem nada de exagerado" é após o início da época da caça generalizada ao coelho e perdiz. As vítimas serão os que fogem ou que "infelizmente são abandonados por não cumprirem a função".

Na totalidade do projecto, cujas contagens se foram espaçando, foram contabilizadas pelo menos 10 mil mortes, mas o investigador acredita que os valores cheguem aos 12 ou 13 mil animais.

O MOVE tem como um objectivo recolher informação para "minimizar os efeitos adversos na biodeversidade".

Em Portugal, já foram tomadas medidas, principalmente em novas-autoestradas, como a A24 e a A7, utilizando vedações de malha muito estreita e passagens seguras para animais.

NO IC27 existe uma passagem inferior sobretudo dirigida a veados e javalis.

Outro objectivo é avaliar, para algumas espécies, a proporção da população que morre para determinar o impacte real dos atropelamentos na população dos animais.

Publicado por ccpbencatel às 14:45
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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Receitas de caça

Perdiz de Escabeche

 

Ingredientes:
Para 4 pessoas

  • 4 perdizes bravas

  • 2 dl de azeite

  • 1 folha de louro

  • 1 dl de vinagre

  • 3 cebolas médias

  • 4 dentes de alho

  • 1 molho de salsa

  • Sal, pimenta branca e noz moscada q.b.

Confecção:

Limpam-se as perdizes e cozem-se num tacho tapado, com água, azeite, vinagre, cebola ás rodelas, alhos esmagados, salsa, sal, pimenta, louro e a noz moscada.
Quando as perdizes estiverem cozidas tiram-se e desfiam-se.
Entretanto passe o molho pelo passe-vite e leve novamente ao lume, para rectificar os temperos.
Junte as perdizes desfiadas e sirva no dia seguinte.

Notas: Acompanhe com finas fatias de pão Alentejano torrado..

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                        Perdiz á moda do Alentejo


Ingredientes:

  • 2 perdizes
  • 200 g de toucinho defumado
  • 200 g de cenouras picadas em tiras
  • 200 g de cebolas picadinhas
  • 5 dentes de alho
  • 1 ramo de salsa
  • 1 raminho de manjerona
  • 2 colheres (de sopa) de margarina
  • 1 copo de vinho do Porto
  • piripiri
  • vinho branco de boa qualidade, para cobrir as perdizes
  • um fio de azeite
  • sal a gosto

Preparação:

Põem-se as perdizes a marinar por duas horas. Entretanto, corta-se o toucinho em cubinhos, para serem fritos e, na sua banha, põe-se a cebola para alourar. Quando começar a alourar, deitam-se as perdizes nesse molho para fritarem até ficarem douradas. Nessa altura, juntam-se as cenouras e o vinho branco, até cobrir as perdizes. Deixa-se ferver, com a panela destapada, até evaporar o vinho e formar-se um molho espesso, ponto em que junta-se o vinho do Porto, até ferver. Retificam-se os temperos e retira-se do fogo. Sirva as suas perdizes à moda do Alentejo com batatas fritas em cubinhos e um repolho refogado.

 

 

 

Publicado por ccpbencatel às 10:02
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Domingo, 10 de Janeiro de 2010

Caçador em estado grave após acidente com arma de caça

Um caçador de 32 anos ficou hoje, domingo 10-1-2010, gravemente ferido na sequência de um disparo acidental durante uma montaria aos javalis no concelho alentejano de Crato (Portalegre).

De acordo com o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Portalegre, o alerta foi dado às autoridades às 12:13, tendo sido a vítima socorrida de imediato no local e, posteriormente, transportada para o Hospital de Portalegre.

Fonte hospitalar adiantou à Lusa que o homem foi atingido com um tiro na região do abdómen, encontrando-se em estado grave.

A vítima foi submetida a uma intervenção cirúrgica hoje à tarde no Hospital de Portalegre.

Publicado por ccpbencatel às 09:51
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Caça ao Lobo novamente autorizada na Suécia

É o regresso de uma prática que tinha sido banida da Suécia há quarenta e cinco anos. A caça ao lobo foi novamente autorizada pelo parlamento de Estocolmo em Outubro e no sábado foi dado o tiro de partida. O número de lobos a abater está definido à partida. Este ano o limite é de 27 animais e em dois dias já foram caçados 23 lobos. A época de caça permanece aberta até ao dia 15 de Fevereiro de 2010.

Na década de 70 este canídeo esteve em risco de extinção no país escandinavo. O Estado procedeu à sua reintrodução e a população do carnívoro não parou de aumentar. Actualmente existem cerca de duas centenas de lobos.

Um número que este ambientalista não considera excessivo quando comparado com outros países. Já a quota autorizada pelo governo para o abate é excessiva porque ultrapassa os dez por cento, sem falar da caça ilegal, sublinha.

A decisão do parlamento fundamentou-se nos problemas que os lobos causam aos produtores de gado.

“É importante que quem tenha tido problemas com os carnívoros que os possa agora abater”, explica o porta-voz dos caçadores.

Além de atacarem o gado nas regiões rurais, os lobos começaram a surgir nos subúrbios de Estocolmo e nos centros de outras localidades mais pequenas.

 

Publicado por ccpbencatel às 16:52
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Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Javali

                                                              Javali (Sus scrofa)


 
 

 
   
Mamífero originário
do Norte de África e
sudoeste da Ásia. A
sua área de
distribuição
estende-se por
quase toda a
Europa (à excepção
das zonas mais a
Norte – Islândia,
Noruega, Finlândia e
das Ilhas Britânicas
onde se extinguiu por
volta do século XIV),
pela Ásia e pelo Norte
de África. Foi
introduzido nos E.U.A.
e Austrália
(onde se tem
verificado com alguma
 
frequência o cruzamento com porcos, quer domésticos, quer assilvestrados).
 
Nome comum: Javali
Nome científico: Sus scrofa
Outras designações:Porco-montês, javardo, porco-bravo
Peso: 250 Kg macho, e 150 Kg a fêmea
Comprimento:1 – 1,5 metros
Altura máxima do garrote: 1 metro
 
Nos últimos anos as suas populações têm aumentado consideravelmente. A recente
evolução das populações ibéricas é um bom exemplo desta tendência, pois é comum
um pouco por toda a Península, mesmo nas zonas o­nde há muito não era avistado.
Nalguns países do Centro e Norte da Europa o­nde se encontrava extinto,
como a Suécia (subsistindo apenas alguns indivíduos dentro de áreas cercadas),
podemos hoje encontrar algumas populações selvagens.
Esta expansão foi resultado não só da mudança radical na paisagem das zonas de
montanha (de pastorícia extensiva) e das zonas agrícolas europeias no geral, mas
também devido à sua elevada adaptabilidade a novas condições, à sua biologia
reprodutiva (espécie prolífica) e alimentar, à maior disponibilidade de alimento nas
zonas agrícolas e à diminuição das populações dos seus principais predadores,
como o lobo, Canis lupus, o lince, Lynxsp., e a águia-real, Aquilla chrysaetos.
O êxodo de grande parte da população rural para as grandes cidades, conduziu
ao abandono progressivo das práticas agrícolas ancestrais e a uma diminuição do
número de cabeças de gado, causando mudanças drásticas no uso do solo e na
estrutura da vegetação (muitas vezes tornando-se mais favoráveis para o javali).
O javali foi desde sempre um troféu bastante apreciado pelos caçadores, e
actualmente, graças ao aumento das suas populações, é uma das principais, senão
mesmo a principal, espécie de caça maior de muitas regiões europeias.
Em Portugal é comum em quase todo o território continental, e na Madeira existe uma
população resultante do cruzamento entre o javali e o porco doméstico.
Pertence à família dos suídeos. Tem pêlo acastanhado quando adulto, e os juvenis
são listados, de preto e castanho-amarelado (protecção contra predadores –
mimetismo), escurecendo com a idade. Nos adultos o pêlo é forte e costuma partir
nas pontas, e podem ser considerados dois tipos de pêlos, uns mais rijos, as
cerdas e outros mais macios.
Pode viver entre 20 a 25 anos, embora no estado selvagem não costume viver tanto
tempo.
 
 
É essencialmente de hábitos nocturnos, podendo ser avistado com maior frequência
ao nascer e ao fim do dia. Na altura da reprodução, ou quando existe fraca
disponibilidade alimentar, são mais facilmente observáveis, pois os animais são
obrigados a percorrer maiores deslocações.

Tem na maxila superior dois dentes salientes que se costumam designar por “amoladeiras”, enquanto na inferior possui dois dentes, ainda de maiores dimensões, as navalhas (razão para a designação de “navalheiros” dos grandes machos).

De compleição forte, de perfil afilado, com membros forte e bastante ágeis. Os machos adultos podem chegar aos 250 Kg, enquanto as fêmeas não ultrapassam em média os 150 Kg.
Os animais do Norte da Europa tendem a ser maiores e mais pesados do que os
do Sul do Continente. O dimorfismo sexual (traduzido por uma diferença de
tamanho entre o macho e a fêmea e pela dimensão dos dentes) é maior nas classes
etárias mais velhas (mais acentuado a partir dos dois anos).
Nas nossas latitudes a gestação dura cerca de quatro meses, nascendo as crias
entre Fevereiro e Abril (com um pico de ocorrência em Março). Uma fêmea pode ter
8 a 10 leitões, embora o número médio se situe entre os 3 a 6, sendo a ninhada
maior nas populações do Norte da Europa. A fêmea esconde normalmente a sua
ninhada em zonas de densos matagais.
 
As diferenças na fertilidade das fêmeas,
 traduzidas no tamanho da ninhada,
podem ser explicadas não só
por factores fisiológicos da própria
fêmea, pois as fêmeas
reprodutoras são normalmente maiores
que as não reprodutoras e pela idade
das fêmeas (normalmente as primeiras ninhadas são sempre menores), mas
também pela densidade
populacional, pelo fotoperíodo e pela
qualidade e disponibilidade de alimento.

Pensa-se que os nascimentos
estarão condicionados pela
ocorrência de condições climatéricas
extremas. Assim, em locais de fortes
nevões e baixas temperaturas, de
Inverno mais rigoroso as crias nascerão
entre Abril e Junho, enquanto nas
zonas com estação seca bem
marcada e prolongada, como a
Península Ibérica nascerão o mais
cedo possível, no começo da
Primavera, aproveitando os novos
rebentos.
 
Em zonas de elevada disponibilidade de alimento e com Inverno ameno, os
nascimentos podem ocorrer mais cedo. No caso de se fornecer alimentação
artificial, os nascimentos podem começar em Dezembro e durar até Junho
(havendo alguns registos de nascimentos entre Novembro e Março).
É omnívoro, sendo a sua lista de alimentos grande e diversa. Os alimentos de origem
vegetal são a base da sua dieta, que pode ser composta por plantas (ou parte delas),
frutos (como a castanha, as bolotas e azeitonas), insectos, moluscos, pequenos
mamíferos, aves (ovos) e, por vezes, carne em decomposição. A componente animal
é sempre menor que a vegetal, e complementa esta, pois é rica em proteínas.
No geral, o javali come o que estiver mais disponível, tendo no entanto preferência por
alimentos ricos, como os frutos e algumas plantas agrícolas. A sua alimentação
varia de local para local, e durante o tempo. Esta variação parece ser o reflexo de
diferentes disponibilidades de alimento.
 
Em resumo podemos dizer que em resposta às variações espaciais e temporais na
variabilidade e abundância de alimento, o javali come aquilo que o meio lhe
oferecer, empreendendo por vezes grandes deslocações (que podem chegar aos
250 Km) para encontrar o alimento que deseja, e aqui reside talvez uma das
principais razões para o sucesso desta espécie.

Por se alimentar de plantas agrícolas, é responsável por danos avultados na produção
agrícola. Contudo, uma boa parte dos estragos são resultado do atropelamento e
destruição quando se desloca e quando desenterra as plantas para se alimentar das
raízes. Os estragos atingem maior dimensão na Primavera e Outono, e são ainda
maiores quando existe menor quantidade de frutos silvestres.

Assim, a disponibilidade de alimento é um dos factores chave para a dinâmica
populacional do javali e para o sucesso reprodutivo.

A importância da alimentação advém do facto desta ser essencial para a
manutenção do bom estado físico dos animais. Este pode ser avaliado pelo
Índice de Condição (IC) e/ou pelo Índice de Gordura Renal (IGR).

O IC dá-nos uma relação entre o peso e o comprimento do animal, e foi definido tendo
em conta o facto das variações de peso estarem relacionadas com o estado
nutricional, permitindo desta forma avaliar a condição física do indivíduo. O IGR
quantifica as reservas energéticas acumuladas (método bastante usado para os
cervídeos).
 
Em relação à variação do IC ao longo do ano, podemos dizer que, de uma forma geral,
ele diminui, tanto nos machos como nas fêmeas, do Inverno até ao Verão (altura
em que são verificados os valores mínimos) começando a aumentar outra vez no
Outono. Assim, os javalis apresentam melhor estado físico na no início da altura
reprodutora (acasalamentos) e na altura dos nascimentos.
Vários estudos na Europa sobre preferências alimentares e sobre os danos na
agricultura, apontam para uma preferência pelo milho (Zea mays), sendo também a
cultura em que se verificam os maiores prejuízos. Os estragos assumem também
proporções consideráveis em vinhas (embora neste caso fruto de destruição enquanto
procura por raízes e rebentos tenros) e nos cereais. Em pastagens, o­nde o
javali procura invertebrados, revolvendo a terra, foçando, deixando marcas bem
características, os estragos são de maiores dimensões em zonas de pastagens
melhoradas, mais comuns no Norte e Centro da Europa, do que em regiões de
pastagens naturais, como é o caso Mediterrânico). Há também registos de danos em
arrozais.
Estes estudos sugerem ainda que a disponibilização de suplemento alimentar,
provoca desequilíbrios na alimentação dos javalis, pois normalmente são fornecido
alimentos ricos em energia, a que os danos nas culturas agrícolas sejam maiores, pois
os javalis vão procurar com maior insistência alimentos ricos em proteínas
nestas áreas (normalmente em pastagens).
 
Por forma a evitar danos, podem ser usadas redes eléctricas, avisos odoríferos,
sonoros ou visuais, e obstáculos físicos.
O javali pode também constituir uma ameaça para alguns vertebrados, principalmente
para as aves que fazem ninho no solo (quer por destruição de ninhos, consumo de
ovos ou juvenis) e mesmo em alguns roedores. Na bibliografia disponível sobre o
assunto são relatados os casos da galinhola (Scopolax rusticola), do faisão
(Phasianus colchichus) e do coelho (Oryctolagus cuniculus) (em França), e na
Península Ibérica a perdiz (Alectoris rufa), a lebre (Lepus capensis) e o coelho.
Este efeito será tanto maior quanto maior a densidade de javali.
Existem também alguns registos de mortes de animais domésticos (embora
com pouca expressão). A relação entre esta espécie e o Homem nunca foi pacífica, e
o problema do cruzamento com porcos domésticos, a transmissão de doenças aos
animais domésticos e os estragos na agricultura têm contribuído para que as queixas
contra este animal aumentem.
As densidades de javali são normalmente da ordem dos 10 animais por 100 hectares.
A sua área de acção (não é um território no sentido normal, pois não existem
marcações) pode variar entre os 4 e os 22 Km2, e em zonas de caça pode chegar aos
26 Km2. Apesar de não demarcarem um território, parecem ter preferência por certos
locais de dormida (descanso ou reprodução) que mantém ao longo de vários anos.
A proporção de machos e fêmeas é de cerca de 0,8 – 1:1, pois há uma tendência para
existirem mais fêmeas que machos, pois este têm uma mortalidade elevada até aos 4
anos de idade, devido à maior competição entre machos adultos e os mais jovens
(estes são expulsos assim que atingem a maturidade e podem mesmo ser mortos) e
à dispersão destes em busca de novos territórios.

 

Contudo, a razão entre machos

e fêmeas varia consoante a

classe etária. Considerando

apenas os indivíduos com idade

inferior a 1 ano, a razão entre

machos e fêmeas é de

sensivelmente 1:1 (como nos

mamíferos em geral),

enquanto nas classes mais

velhas o número de fêmeas

tende a ser ligeiramente

mais elevado (1:1,5 – 2).

A dificuldade de se calcular
com maior exactidão este valor
prende-se com o facto de a
grande maioria dos dados dizer
respeito a métodos de captura
 que tendem a preferenciar
uma das classes (a recolha
de dados tendo em conta o
resultado da actividade
cinegética, não nos dará
resultados sobre
a classe etária inferior a um
ano, e se usarmos armadilhas,
teremos uma maior proporção
de jovens do que adultos).

 

Para manter a sua pele livre de parasitas costuma tomar banhos de lama (chafurdar)

em locais que podem facilmente ser identificados, roçando-se de seguida nas árvores

próximas.

Anda normalmente em grupos, constituídos pela fêmea e sua prole. Estes grupos

(varas) são normalmente liderados por uma fêmea, que pode ser acompanhada também

por outras fêmeas reprodutoras, embora apenas a líder procrie. Podem também pertencer

às varas um ou dois machos mais jovens. Estes abandonam o grupo quando atingem a

idade sub-adulta (normalmente expulsos pela fêmea reprodutora ou pelo macho

dominante), podendo juntar-se a um macho mais velho (solítário) passando a

designar-se por escudeiros. Contudo, os grandes machos passam a maior parte

do tempo sozinhos.

 

É uma espécie bastante apreciada pelos caçadores, constituindo uma fonte de

rendimentos importante em muitas zonas. Um grande macho é um troféu importante.

A carne de javali é também muito apreciada (pois tem menos gordura, quase não tem

colesterol e é bastante rica em proteínas e sais minerais), sendo a sua criação

para consumo directo uma actividade que vai crescendo de importância. Este tipo

de actividade tem alguns constrangimentos, como a menor taxa de ganho de peso,

a baixa taxa reprodutiva (quando comparada com outros animais domésticos) e a

dificuldade de obtenção de animais puros. O nosso conhecimento sobre o modo de

criação deste animais em cativeiro tem dificultado a sua exploração.

A gestão das sua populações assume importância fundamental, pois pode dar um

contributo importante para a manutenção do tipo de zonas florestais mediterrâneas

que também lhes são favoráveis, mas também conservando o habitat de outras

espécies com maior risco de extinção (como a águia-imperial, Aquila adalberti).
 

 
Ao gestor cinegético cabe a escolha do número de acções cinegéticas, e de
caçadores e cães que nelas participam, de modo a que a pressão cinegética seja
adequada à dimensão e estrutura da população a gerir. É necessário ter sempre
em mente a necessidade de garantir bons resultados na época de caça, mas
também nas do futuro, pois não podemos por em risco o potencial reprodutivo das
populações de javali quer em quantidade quer em qualidade dos troféus produzidos.

O combate ao furtivismo, actividade que tem um grande impacto nas nosso dias nas
populações selvagens desta espécie, assume também uma relevância grande, e,
infelizmente, temos de disponibilizar mais meios para a erradicação dessa prática,
apostando não só na fiscalização mas também na prevenção.

Publicado por ccpbencatel às 17:19
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Coelho

 

 
 
                                           Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus)


 
 

Espécie cinegética de pêlo, bastante apreciada pelos caçadores portugueses, pois era,
até meados do século passado, muito abundante.A redução das populações deste lagomorfo na Península Ibérica deve-se a uma conjugação de factores: dois focos de doenças, mixomatose (1960) e hemorrágica viral (1990); maior competição com herbívoros de grande porte; elevada densidade de predadores generalistas, principalmente de raposa (Vulpes vulpes); acção do Homem; perda do uso tradicional do solo e consequente abandono da terra.
Nome comum: Coelho-bravo
Nome científico: Oryctolagus cuniculus
Peso: 1,2 a 2 Kg
Comprimento: 35 a 50 cm
Fenologia: Residente

A sua área de distribuição estende-se muito para além dos locais de o­nde é originário. Devido às alterações do uso do solo, à introdução de animais e à sua elevada plasticidade e adaptabilidade a diversas condições e habitats, encontra-se hoje por toda a Europa, pelo Norte de África (com particular incidência em Marrocos e na Argélia), Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Chile.

Em Portugal encontra-se em todas as regiões do continente, bem como nos Açores e na Madeira, o­nde foi introduzido pelos navegadores portugueses. Como curiosidade pode-se citar o caso da introdução dos coelhos na ilha de Porto Santo (em 1418 por Bartolomeu Perestrelo), relatada nos escritos da época, que se diz responsável pelo seu abandono em detrimento da ilha da Madeira, pois passado alguns anos nada do que se semeava dava fruto, pois estava roído.
 
Fonte: Pedro Vaz Pinto

O pêlo é de uma cor pardo acinzentada terrosa, mais escura na cabeça do que no dorso, à excepção do ventre e da parte externa das coxas que são brancos. As orelhas, medindo entre 6,5 a 7,5 cm, são acinzentadas na metade posterior (da mesma cor que o resto do corpo na parte anterior) e os pêlos do bordo anterior são esbranquiçados. À volta dos olhos apresentam um círculo claro mal definido. Os bigodes são castanhos e pouco compridos. A cauda é cinzento acastanhada na parte de cima e branca por baixo, formando um pequeno tufo (com 4 a 6 cm). As patas posteriores são alongadas (podem ter 8 a 9 cm) de cor parda acinzentadas claras, apresentando uma risca branca larga. As unhas são grandes e afiadas, constituindo uma ferramenta imprescindível para a escavação de tocas e para ajudar à rápida fuga.

Esta espécie não apresenta dimorfismo sexual, pelo que somente se faz a distinção pela observação directa dos órgãos sexuais, embora as fêmeas tendam a ser mais compridas e pesadas.

É bastante sociável vivendo em colónias (diminuindo o risco de predação). Constrói tocas comunitárias (com uma profundidade entre os 0,5 e os 1,50 metros) constituídas por numerosas e extensas galerias ligadas entre si com várias entradas e saídas. A distribuição das tocas (e das entradas e saídas) está relacionada com o tipo de solo, de relevo, da água, da presença de árvores, da disponibilidade de alimento. Existe alguma preferência por locais com arbustos mais altos e por zonas adjacentes às árvores (pois a estrutura radicular favorece a agregação do solo, diminuindo a probabilidade das tocas ruírem).

Existem tocas específicas para os partos (normalmente situadas perto das tocas das colónias) a uma profundidade de 50 cm a 1 metro, que são construídas cerca de dois dias antes do parto. A preparação destas tocas é da responsabilidade da fêmea. No fundo destas tocas ela dispõe ervas, folhas secas e pelos que arranca do seu próprio ventre. As crias permanecem aí durante 19 a 21 dias, passando então para as tocas de habitação das colónias. Passado seis meses após o parto, os juvenis tornam-se adultos.
Fonte: Pedro Vaz Pinto
  Costumam fazer também tocas de recurso mais ou menos dispersas junto a locais de alimentação e locais de “cama” ao ar livre, locais o­nde se estendem ao sol (em dias de bom tempo), abrigados do vento e escondidos pela densa vegetação.

Normalmente não se afastam muito dos trilhos definidos e a vigilância é realizada por todos. Não vê bem em frente (visão lateral é melhor), mas a audição é excelente (apoiada pelas longas orelhas) bem como o olfacto (por isso os movimentos constantes do nariz). É vulgar ver os coelhos em alerta, erguidos sobre as patas traseiras, com as anteriores pendentes, e ao mais pequeno sinal de perigo, batem com as patas traseiras no solo produzindo um som de alarme (os restantes membros da colónia fogem para os abrigos mais próximos).

O macho delimita o território da colónia e é responsável por expulsar os intrusos. Um macho pode ter várias fêmeas (espécie poligâmica) e têm a capacidade de poder reproduzir-se em qualquer altura do ano, caso ocorram condições favoráveis de clima e alimentação. A taxa de reprodução máxima é verificada nos meses de Janeiro a Maio (por isso os repovoamentos não devem ser efectuados nesta altura para não comprometer a reprodução da população natural), e normalmente durante os meses de Julho e Setembro não se reproduzem (devido ao clima e falta de alimento).
Em média as fêmeas realizam 3 a 5 partos por ano, e a ninhada pode ser constituída por 1 a 7 láparos (que nascem cegos, surdos e sem pêlo) com cerca de 60 grama cada. Num ano normal podemos considerar que a uma fêmea corresponderão, em média, 15 a 20 láparos. Uma população de coelhos saudável, gerida de forma sustentável poderá assim crescer de 3 a 6 vezes num ano.

De uma maneira geral, o ciclo reprodutor desta espécie é regulado pelo fotoperíodo. O começo da actividade reprodutiva é regulado pela rebentação da vegetação anual nos fins do Outono. A duração desse ciclo é determinado principalmente pela disponibilidade e qualidade do alimento. As alterações de temperatura e precipitação regulam o final da actividade reprodutora.
 
Fonte: Pedro Vaz Pinto

Os coelhos são oportunistas no que toca à alimentação, alimentando-se do que o meio lhe oferece. Come os rebentos e outras partes tenras das plantas. Tem preferência por dicotiledóneas e gramíneas, e nas áreas agrícolas come os cereais enquanto estes não estão maduros. Quando a vegetação herbácea escasseia, as raízes, rebentos e cascas de árvores são a base da alimentação. Assim, pode dizer-se que a composição da dieta muda ao longo do tempo e do espaço, consoante as alterações na quantidade e qualidade do alimento disponível.

A necessidade em água é suprimida principalmente pela ingestão quer de vegetais suculentos quer de gotas de orvalho, não bebendo normalmente água.

É particularmente sensível ao frio e à chuva (em caso de inundações as tocas podem ficar cheias de água), morrendo muitos láparos nas tocas quando estas são inundadas. Normalmente não são encontrados a mais de 1200 metros de altitude, em zonas húmidas e locais com vegetação herbácea densa e alta.

A utilização do coberto como defesa contra predadores varia consoante a altura do dia. Durante as horas de sol a predação por rapinas é maior, e como tal os coelhos tendem a usar locais com vegetação mais densa, para tentarem assim se esconder. Contudo, à noite os mamíferos constituem um perigo maior (na grande maioria dos casos são predadores de emboscada que utilizam a surpresa para atacar) e assim, os coelhos preferem zonas mais abertas o­nde poderão detectar mais facilmente o perigo não caindo na armadilha. Assim, o coelho altera o seu ciclo circadiano consoante a predação é maior durante a noite ou durante o dia, consoante a disponibilidade de alimento, a distribuição possível de tocas (e de entradas e saídas) e o tipo de coberto.
 

O habitat preferencial do coelho é aquele o­nde exista alimento em quantidade suficiente e coberto vegetal de protecção, e são normalmente estas duas características que determinam a adequação da espécie ao local. Tem preferência por zonas de paisagem diversificada e fragmentada, com parcelas agrícolas, de pastagem, de matos, caracterizadas por elevadas densidades de zonas limites (várias opções de habitat para que o coelho possa escolhe aquela que melhor se adaptará às condições de cada momento), que forneça alimento, abrigo contra as condições atmosféricas adversas e predadores.

Como é uma espécie que se cansa rapidamente, a estratégia de fuga está em corridas rápidas e curtas em direcção às tocas ou a locais o­nde se possa esconder (zonas arbustivas, silvados). De uma maneira geral, pode-se dizer que estes vertebrados não se afastam muito da toca durante o dia. De noite movimentam-se mais frequentemente e percorrem distâncias mais longas (embora nunca de afastando muito da toca).

Esta espécie necessita duma gestão cuidada, pois apesar ser uma espécie com elevada taxa de reprodução, nos últimos anos as populações ibéricas têm sofrido uma diminuição devido à ocorrência de duas doenças virais, a mixomatose (surge nos anos 60 e 70 no Algarve) e a doença hemorrágica viral (em 1989), causando ambas uma mortalidade elevada de indivíduos. Os principais surtos de mixomatose dão-se entre Junho e Setembro (podendo prolongar-se pelo Outono), e a transmissão dá-se por contacto directo com animais doentes ou através de insectos (carraças, mosquitos e moscas). Entre Dezembro e Janeiro ocorrem os maiores surtos de hemorrágica viral (podendo acontecer durante o Outono e Inverno), e a transmissão ocorre por contacto directo com indivíduos doentes e através do ar.

As profilaxias destas doenças passam pelas vacinas (que está à espera de ver aprovada a sua utilização), pela remoção de animais doentes e mortos, a destruição de tocas infectadas, a desinfecção de focos de insectos e fumigação das entradas das tocas com insecticidas. Também se deve apostar na prevenção, disponibilizando alimento em qualidade e quantidade e a construção de tocas artificias em locais secos.

O coelho pode constituir uma praga se o tamanho da população for muito grande. Nestas situações pode ser responsável por danos avultados na agricultura e silvicultura, pois alimenta-se dos rebentos, e como é uma espécie gregária e sedentária, pode provocar alterações na composição e evolução das estruturas vegetais. De Inverno parte dos estragos podem dever-se à necessidade de usar os incisivos.

A actividade herbívora dos coelhos faz-se sentir na produtividade vegetal, na altura das plantas, na diversidade e na regeneração do coberto vegetal, e os efeitos serão mais negativos quanto maior a população. No caso de ocorrer no local uma (ou mais) espécies vegetais que não sejam ingeridas, esta(s) podem-se tornar dominantes. Estes efeitos também se fazem sentir na regeneração de povoamentos florestais, pois para além de consumirem o ápice vegetativo, podem causar danos nos troncos das árvores.

Esta acção do coelho foi agravada em alguns países o­nde foi introduzido, pois devido às alterações do uso do solo e à ausência de predadores tornou-se uma praga, tendo as suas populações atingido dimensões gigantescas.

Nas áreas de o­nde é originária esta espécie constitui a presa preferida de muitos predadores, sendo considerada a base da cadeia trófica da grande maioria dos predadores de médio e grande porte, e nalguns casos existe quase uma exclusividade.

É predada não só por predadores generalistas como a raposa, o saca-rabos e o javali, mas também por predadores especialistas como o lince e a águia-imperial-ibérica, duas espécies classificadas como ameaçadas, o que aumenta a importância da gestão racional desta espécie.

Mesmo alguns necrófagos têm uma especial apetência por predar esta espécie, como o caso do abutre-do-egipto e do abutre-negro, tendo preferência por animais doentes, pois como não são tão ágeis como as outras rapinas, não conseguem capturar indivíduos adultos e sãos.

É necessário assim investir muito na gestão desta espécie, contrariando os efeitos das doenças e de repovoamentos mal feitos. De entre o conjunto de medidas, podemos salientar:
 
· Controle das doenças (remoção de animais mortos e de outros possíveis focos de infecção);

· Alimento disponível em qualidade e quantidade;

· Locais secos para construção das tocas e construção de tocas artificiais caso necessário;

· Controle de predadores (principalmente os mamíferos) de acordo com a lei. Deve ser mais cuidado nos parques de adaptação a quando das acções de repovoamento. No caso das aves de rapina, e como estas estão protegidas por lei (e a sua acção também não é prejudicial), deve-se intervir no habitat para que o seu efeito seja diminuído. Assumem também especial importância, e por isso carecem de especial atenção, os cães e gatos domésticos, que provocam elevada mortalidade nas populações de coelho;
 

· Gestão racional da pressão cinegética, tendo em conta os efectivos estimados e os planos anuais de caça;

· Os repovoamentos devem ser bem feitos (na altura correcta, utilizando parques bem construídos), respeitando o período de quarentena e tendo em atenção a proveniência dos indivíduos (efectivos vacinados e preferencialmente de zonas o mais próximo possível do local o­nde estes serão largados).
 
Uma última chamada de atenção para a necessidade de estudar profundamente a biologia e dinâmicas das populações que pretendemos gerir. Em muitos dos nossos coutos, opta-se por não caçar coelhos quando estes são em pequeno número (ou por outras decisões do género). Em algumas províncias de Espanha já é permitido caçar nos finais da Primavera, pois nesta altura o impacto da caça não se fará sentir na viabilidade da população para o ano seguinte.

A recuperação das populações bravias deste pequeno herbívoro é fundamental não só para o sector cinegético e para a economia das populações rurais, mas também para a conservação dos recursos naturais do nosso país.
 

Publicado por ccpbencatel às 16:45
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